Viena, Austria – Parte 5/6

 
Maria Theresa foi responsável também pela finalização das reformas de seu palácio favorito: o Schloss Schönbrunn. A mais ou menos 30 minutos (de metrô) do centro de Viena, o palácio é um dos mais famosos cartões postais da cidade e a atração vienense mais visitada. Além de gloriosos aposentos e salões, dentro do complexo existe uma atração extra: um museu de carruagens. Considerado pela UNESCO patrimônio histórico da humanidade e palácio de verão de vários monarcas da dinastia Habsburg, nasceu de uma mansão construída em 1569 pelo Imperador Maximiliano II. As grandes alterações que acabaram definindo o complexo em sua versão final foram feitas em 1696, pelo Imperador Leopoldo I, tentando ultrapassar em beleza o até então imbatível design to legendário Palácio de Versalhes, na França, e mais tarde por Maria Theresa, incorporando o estilo arquitetônico francês rococo. Poucos sabem, mas o único filho legítimo de Napoleão Bonaparte foi gerado de sua esposa austríaca, a princesa Maria Luisa. O Duque de Reichstadt ou "Rei de Roma" passou toda sua infância e juventude como prisioneiro virtual dentro do Palácio Schönbrunn, logo após seu pai sofrer exílio na ilha de Elba. Foi um menino infeliz e triste por causa do seu isolamento e morreu de tuberculose aos 21. Costumava dizer que seu único amigo era um passarinho de estimação. 
 


Outro aposento famoso do Schönbrunn chama-se Spiegelsaal ou "sala dos espelhos". Foi aqui que um menino de seis anos deu seu primeiro concerto sentado em um piano para a Imperatriz Maria Theresa, em 1762. O nome dele? Wolfgang Amadeus Mozart. Depois da perfomance, ele se atirou no colo de sua majestade e deu-lhe um beijo no rosto. Marketing pessoal é tudo… Perto desse salão existe outro de importância histórica, o Blauer Chinesischer Salon ou "salão de porcelana azul", onde o Habsburg Karl I assinou em 1918, logo após a derrota austríaca na 1a Guerra, um documento de que não mais interferiria ou participaria em assuntos do Estado. Uma maneira de abdicar com classe. Sua rabiscada marcou o colapso do império Austro-Húngaro – ao custo de 10 milhões de mortos e 20 milhões de feridos – e o fim da dinastia que se manteve no poder por mas tempo no mundo: mais de seis séculos!

 


Um desbunde total, os jardins do palácio tomam no mínimo três horas de um turista amante do verde. Sugiro uma visita bem cedinho pela manhã, para curtir ainda mais a natureza moldada pelo homem em todo seu esplendor. Não me admira que tenha visto tantos locais correndo e caminhando por lá, tamanha a sensação de conforto. Com mais de um quilômetro quadrado, o jardim baseia sua estrutura em formas geométricas perfeitas, impecavelmente cuidadas: gramado, flores, arbustos e árvores. Fontes e esculturas espalham-se estrategicamente por toda à parte. Tem até um labirinto gigante feito de arbustose construído em 1695, como aquele do filme clássico “The Shinning”. “Ruas” e “Avenidas” para pedestres, ladeadas de árvores igualzinhas umas às outras, permitem um passeio que, no mínimo, te conduz ao devaneio.
 

 
Outra atração do parque anexo ao palácio construída em 1882, o Palmenhaus é uma estufa especializada em manter palmeiras e outras plantas tropicais.  Os jardins também abrigam o zoológico mais aintigo do mundo (1752), o Tiergarten Schönbrunn. Não tive tempo de visitá-lo… Mas de todas as obras que compõem o complexo, a mais impressionate é a fonte toda em mármore representando o pedido de ajuda da belíssima ninfa do mar Thetis para Netuno (Neptunbrunnen), deus dos mares, para que seu filho Aquiles fosse protegido durante sua viagem marítima para Tróia. Aquiles quando criança foi mergulhado no Rio Estiges por ela, uma imortal, o que o tornou invulnerável. Chato que o pedido de Thetis não foi atendido: Aquiles morreu logo após a vitória dos gregos, vítima de uma flecha envenenada de Páris que acertou seu calcanhar, o único ponto vulnerável de seu corpo.
 

 
Bem no topo do complexo Schönbrunn, 60 metros morro acima, foi construído o maior Gloriette do mundo em 1775 para comemorar a vitória dos Austríacos contra a Prússia em 1757. A Prússia na época tinha um dos melhores exércitos do mundo e que, décadas depois, se tornaria a toda poderosa Alemanha, portanto a celebração é merecida. Tipo de monumento clássico em forma de pavilhão ou templo grego, o Gloriette fica em uma posição privilegiada que proporciona uma belíssima vista tanto do palácio e seus jardins, como da cidade de Viena. Maria Theresa e o imperador Franz Joseph I costumavam utilizar o Gloriette para tomar café-da-manhã e jantar ao pôr-do-sol. Vida dura… Atualmente um café para turistas funciona dentro do pavilhão. Os destaques desse ponto nobre vão para as estátuas de caráter militar feitas pelo famoso escultor austríaco von Hagenauer. Destruído durante a 2ª Guerra Mundial, o Gloriette foi reconstruído em 1947. Daqui sai uma trilha bem bacana que conduz a um passeio por dentro do bosque principal, onde se encontram ruinas romanas artificiais, construídas em 1778 como elemento de decoração. Por que ruínas romanas? Por séculos os Habsburgs tinha a idéia fixa de que eram os legítimos herdeiros do antigo Império Romano. Megalomania perde…
 

 
Veja aqui as fotos do Palácio Schönbrunn e seus Jardins: http://www.flickr.com/photos/moncores/sets/72157622819405871/
 
Retornando ao centro de Viena, decidi almoçar em um outro restaurante muito simples, porém favorito entre os locais, considerado uma hidden gem por sua comida boa e barata: o restaurante Amerlingbeisl. Além de servir almoço e jantar, o local também serve de centro cultural e bar, possuindo uma decoração bem pitoresca. As mesas de madeira ficam em um pátio espaçoso e você come ao ar livre os pratos da cozinha austríaca. O serviço é meio lento, mas muito cordial, em meio a uma atmosfera de paz e tranquilidade, cheia de estudantes duros. Não quis variar dessa vez e acabei encarando outro tradicionalíssimo Wiener Schnitzel acompanhado de batatas, por apenas cinco Euros.
 
 
Depois do almoço decidi visitar outro popular cartão postal da cidade, o Schloss Belvedere, construído em 1714 como palácio de verão do já citado príncipe Eugene de Savoy, que além de competente militar era também muito rico, granda essa fruto do espólio de várias guerra que combateu. Sua fortuna rivalizava a dos Habsburgs da época, por isso não foi problema nenhum construir esse mega palácio. A ironia é que, como era gay, não deixou nenhum herdeiro e tudo acabou voltando para as mãos dos Habsburgs. O complexo compõe-se de dois palácios ligados por um imenso jardim barroco em estilo francês, cheio de estátuas de inspiração greco-romana. Os tetos feitos de cobre em formato de tendas turcas representavam uma homenagem do arquiteto – Johan Lukas von Hildebrandt (o mesmo que ajudou a reformar o Schloss Schönbrunn) – à vitória de Eugene contra os otomanos em 1683. Além do formoso jardim, dos aposentos do palácio e da belíssima coleção de pinturas do séculos XIX e XX, destaco as estátuas das esfinges, meio leão, meio mulher, que guardam a parte superior de Belvedere. Mas não é só por causa do fantástico museu de arte que esse palácio tem um lugar especial no coração dos austríacos. Em 1955, de uma das sacadas de Belvedere, o chanceler Leopold Figl apresentou a uma multidão explodindo de alegria, o tratado "Staatsvertrag" assinado com as forças aliadas que ocupavam o país desde o fim da 2a Guerra Mundial, anunciando a indepedência da Áustria.
 

 
No interior do complexo, Unteres Belvedere, os destaques vão para: o teto do Marmorsaal (salão de mármore), um afresco multicolorido pintado por Martino Altomonte, celebrando o príncipe Eugene como o novo Apolo, líder das musas; A escultura em mármore criada por Balthasar Permoser, localizada no mesmo salão – "Apoteose do Principe Eugene" (1734); o teto da capela do Palácio, outro afresco bonito e detalhado, criado pelo artista Francesco Solimena; a coleção de pinturas do mestre simbolista austríaco Gustav Klimt, incluindo suas duas obras primas, "Judith I" (1901) e "O Beijo" (1908); a Sala Terrena, onde quatro estátuas em mármore de Hércules esculpidas por Lorenzo Mattielli configuram as colunas que sustentam o teto; e, finalmente, uma das obras primas do pintor austríaco Ferdinand Georg Waldmüller, "Manhã de Corpus Christi" (1857)
 

 

Continua… 
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