Viena, Austria – Parte 6/6

 
Belvedere possui uma extensa coleção de arte que data desde a Idade Média até os dias de hoje. Entre as minhas favoritas, estão: Susanna und die beiden Alten (1709) de Martino Altomonte (pseudônimo italiano de um austríaco), retratando o momento bíblico onde dois velhos voyeurs e tarados chantageiam uma hebréia casada que tomava banho no rio, estilo ou-dá-ou-contamos-para-o-seu-marido; Der heilige Sebastian und die Frauen (1746) de Paul Troger, mostrando algumas mulheres ajudando São Sebatião durante seu martírio; Schlummernde Frau (1849), a obra mais sexy de Johann Baptist Reiter; Beweinung Abels (1692), de Johann Michael Rottmayr, que pintou a dor de Adão e Eva pelo assassinato de Abel pelo próprio irmão; Der Triumph der Ariadne (1874) de Hans Makart, mostrando o momento que Ariadne – ex-amante traída e abandonada por Teseu em uma ilha deserta, conquista o coração de Baco e ganha uma coroa de ouro (depois de sua morte, essa coroa se transformaria em uma constelação); Die Niljagd (1876), outra belíssima obra de Markart; e o clássico absoluto, figurinha carimbada em todos os livros de história de 2o grau, Napoleon am Großen St. Bernhard (1801), de Jacques-Louis David, uma das cinco versões da pintura que apresenta Bonaparte em seu cavalo depois de cruzar os Alpes. O homem! o mito! a lenda…
 

 
Veja aqui as fotos do Palácio Belvedere e seus jardins: http://www.flickr.com/photos/moncores/sets/72157622816933487/
 
Na região onde se localiza Belvedere, encontra-se a mais bela igreja da cidade (uma verdadeira façanha, em se tratando de Viena), Karlskirche, construída a partir de 1714 por ordem do imperador Karl VI. Apavorado com a matança provocada pela epidemia de peste negra em Viena, sua majestade imaginou que uma obra faraônica em homenagem a São Carlos "Karl" Borromeo ajudaria a parar a cavaleira do apocalipse. Afinal, em 1576, no auge da epidemia em Milão, o arcebispo Borromeo trabalhou incansável para tratar os doentes e enterrar os mortos, pessoalmente, sem qualquer medo de cair doente e sem poupar despesas (gastando do próprio bolso também), punindo todos os clérigos abaixo dele que fugiram de suas responsabilidades por causa da peste. Depois de 25 anos desde que a primeira pedra foi lançada, o imperador acabou construindo uma obra de arte de arquitetura barroca imponente e lindíssima que não pode ser ignorada da paisagem vienense. Seu interior comove até os mais brutos, graças a um desfile de adornos ricamente detalhados em madeira, estátuas, balcões em mármore, pinturas e afrescos coloridos no teto. Estes últimos me deixaram – sem sacanagem – por dez minutos completamente estático, enfeitiçado. Dá até para tomar um elevador e chegar bem perto dos frescos. É uma daquelas atrações turísticas das quais você entra e não quer sair mais. Vi várias pessoas às lágrimas ao apreciar tanta beleza. Absolutamente imperdível.



 
Eu me encontrava muito animado para o próximo e último passeio em Viena:  um cruzeiro pelo Rio Danúbio. Basicamente por dois motivos. A suposta beleza dele, cantada milhões de vezes na valsa mundialmente conhecida Danúbio Azul, associada à possibilidade de admirar atrações turísticas da cidade às margens do rio. O outro motivo, a perspectiva história, a emoção de navegar em um rio tão importante para a Europa por séculos. Dentro dos países que falavam alemão no século XIX, o reino Habsburg possuía a alcunha de Donaumonarchie ou monarquia do Danúbio, a força que unia várias nações do império. Mas desisti. Segundo os locais, o trecho do Danúbio que corta Viena não é particularmente fantástico para sightseeing e o rio não era tão azul assim… Além do mais, tinha cinquenta motivos (50 Euros, o preço do ticket do barco para turistas) para não ir. Acabei tirando umas fotos da ponte Lilienbrunngasse e adiei o cruzeiro pelo rio histórico para um trecho muitíssimo mas bacana: Krems-Melk. Mas isso é uma outra história. Stay tuned for more…
 
 
Uma última nota acerca de Viena. Além de Hitler, Mozart e Arnold Swarzenegger, um dos austríacos mas famosos de todo o mundo foi Sigmund Freud, o pai da psicanálise moderna. Foi nessa cidade que ele viveu a maior parte de sua vida e escreveu sobre suas idéias revolucionárias. No Ringstrasse existe até um museu (aua antiga residência) dedicado a ele. A maior contribuição desse neurologista para a humanidade foi o estabelecimento de uma nova abordagem para o comportamento humano, pelo qual a ação das pessoas (gente como eu e você) é dirigida em parte por forças subconscientes. Em outras palavras, muitas vezes não estamos conscientes das experiências que definem nosso comportamento. Freud também é reconhecido por iventar técnicas terapêuticas revolucionárias como interpretação dos sonhos (fontes de desejos inconscientes) e associação livre, além de redefinir o desejo sexual como a energia motivacional primária da vida humana. Embora algumas de suas teorias estivessem erradas, seu trabalho pioneiro se mantém como referência para a psiquiatria e psicologia. Filho mais velho de um mercador Judeu, Freud teve que fugir para Londres a fim de não ser morto pelos nazistas. Seus livros faziam parte assiduamente das famosas fogueiras promovidas por Hitler para queimar literatura proibida. Todas as suas irmãs morreram no Holocausto. Fumante inveterado de charutos, passou por dezenas de cirurgia para tratar de um cancêr na garganta no final de sua vida. Através de suicidio assistido (um de seus amigos o ajudou com injeções de morfina), faleceu longe de sua pátria, em 1939, aos 83 anos. Sua filha, Anna Freud, seguiu os caminhos do pai e trouxe grandes contribuições para o ramo da psicoanálise.
 
 
É isso.

 

Veja aqui as quase 400 fotos em alta resolução da cidade de Viena, na Áustria. Não necessita fazer nada, basta clicar no link abaixo:
 
 
Para melhor visualizá-las, sugiro que você clique no botão Slide Show. Não esqueça de incluir a legenda durante a exibição dos slides.

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One Response to Viena, Austria – Parte 6/6

  1. Dalmir says:

    Fala Paulo! Interessante mesmo seu blog de viagens, bem legal! Eu li um pouquinho sobre a sua viagem pra Austria e achei muito bacana. Lendo o comentario sobre a amiga da sua filha falando dos ‘cangurus’ eu fiquei, de certa forma, um pouco surpreso, porque eu achava que a ignorancia de alguns norte-americanos se concentrava mais em pessoas de classes menos privilegiada. De qualquer forma dei umas boas risadas com aquilo 🙂 Enfim, o dia que voce decidir vir para a Australia pra poder entao tirar as fotos dos cangurus pra menina, dah um toque pra gente se encontrar por aqui!Abracos e um Excelente 2010 pra voces!

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