Catalunha, Espanha – Abril de 2009 – Parte 4/4

 

Outra grande opção para degustar comida típica catalã em Barcelona é o restaurante em estilo rústico Julivert Meu, funcionando a quase 40 anos e sempre muito, muito cheio. A decoração é única, cheia de motivos catalães e dicas do que você pode comer por lá. Como a casa é conhecida pelos seus famosos embutidos ibéricos, escolhi como entrada linguiça fatiada (1/2 racion de chorizo), bem apimentada e ideal para comer com pãozinho quente e manteiga. Minha vitela na brasa – entrecot a la brasa con guarnicion – acabou sendo o prato principal, mas receio que meu espanhol não foi suficiente para passar a mensagem de "bem passado"… Para padrões barceloneses, a conta foi supreendentemente baixa (emboras as porções sejam para modelos de passarela) e o serviço, apenas OK.

 




O Park Güell fica a mais ou menos 45 minutos de metrô a partir do centro de Barcelona. Comprado em 1899 pelo magnata Eusebi Güell, o parque foi entregue nas mãos do famoso Antonio Gaudi, seu amigo pessoal, para a construção de uma propriedade verde de 150 mil metros quadrados para a construção de mansões para os abastados da época. Gaudi trabalhou no parque por quatorze anos, de 1900 a 1914, até que a grana acabou e o projeto declarado um desastre comercial – a região era pouco urbanizada e muito distante de Barcelona. Mas definitivamente não foi uma catástrofe artística, mas sim uma das obras primas do arquiteto, que criou essa maravilha no auge da sua carreira. A cidade de Barcelona adquiriu a propriedade em 1918 e, mas tarde, em 1923, transformou-a em parque público. O Park Güell foi declardo pela UNESCO patrimônio da humanidade em 1984. O lugar hoje também hospeda grandes encontros artísticos e eventos públicos especiais. Grande atração turística da Catalunha, o parque vive apinhado de turistas de todo o globo, tornando o parque um grande point para ver (muita) gente, mas um pesadelo para um sujeito anti-social como eu.
 

O catalão transformou a propriedade em um imenso jardim cheio de obras arquitetônicas modernistas tanto belas quanto inovadoras, sempre inspiradas na matemática e formas orgânicas da natureza (maiores detalhes sobre o estilo de Guadi, aqui). Logo na entrada você encontra duas majestosas guaritas coloridas do tamanho de uma pequena casa (cahmados pabellones), que se localizam de frente para a escadaria principal onde se localiza um dos cartões postais de barcelona: a salamandra colorida de Gaudi. Tenho uma miniatura na minha estante.  Depois de subir a escada você dá de cara com o que parecer ser um templo romano cheio de colunas dóricas, a Sala Hipóstila ou a Sala de las 100 Colunas (que na verdade são 86…), que serve de suporte para a grande praça superior. Projetada para ser o “mercado” do empreendimento, acabou se tornando um salão para apresentações musicais graças à excelente acústica que oferece.

 


 

Em cima do templo situa-se o ponto central do parque, uma imensa praça oval de 3,000 metros quadrados rodeada de bancos em formato ondulado, decorados com mini-azulejos coloridos, que formam uma serpente de 110 metros de comprimento. Apesar de muito bonitos, à primeira vista os bancos de pedra parecem desconfortáveis. Mas depois de experimentá-los pela primeira vez a sensação desaparece e dá lugar a supresa: eles na verdade são bem anatômicos! A praça é bastante romântica mas infelizmente muito cheia. Os caminhos e os viadutos (sim, viadutos para pedestres!) dentro do parque são sinuosos, por dentro da vegetação local, e acompanhados em alguns pontos por colunas de pedra em formato de troncos de ávore, estalactites e figuras geométricas, muitas delas recobertas de pedaços de cerâmica formando mosaicos multi-coloridos. As rampas todas tem formato espiral, como caracóis gigantes. Não fui capaz de encontrar um único ângulo reto nas edificações do parque.

 

 

Veja aqui fotos em alta resolução do Park Güell: http://www.flickr.com/photos/moncores/sets/72157622798490360/

 

Retornando para Barcelona, finalizei o passeio daquele dia jantando em um dos restaurantes de comida catalã mas famosos do Mar Mediterrâneo, o 4 Cats. Com uma linda decoração típica da região, o estabelecimento está sempre lotado (não aceitam reservas) de gente de todas as nacionalidades e, naturalmente, locais. Parece um taberna, oferecendo comida boa e barata, além de música ambiente (violino e piano) desde 1897. Pablo Picasso comia aqui. Decidi comer as especialidades da casa. Para entrada, uma salada mista com queijo de cabra gratinado com vinagrete de mel. Como prato principal, um suquet de peix, formado por pedaços de pescado cozidos em um molho de tomate cheio de temperos. Como a nossa feijoada, sua origem simples acabou sendo modificada e misturada com ingredientes mais nobres. Na receita original, de pescadores pobres do Mediterrâneo, o molho suquet era um cozidão feito de peixes pequenos ou defeituosos pegos nas malhas das redes. Para fechar meu jantar típico com chave de ouro, uma porção saborosa do legendário creme catalão, também conhecida como crema quemada. Trata-se de um doce que leva gema de ovo, leite, farinha de trigo e farinha de milho, coberta de uma capa de açucar caramelizado. O crème brulée pode ser considerado a variação francesa do original catalão.
 

É isso.

 

Veja aqui as mais de 100 fotos em alta resolução da região da Catalunha. Não necessita fazer nada, basta clicar no link abaixo:
 
Para melhor visualizá-las, sugiro que você clique no botão Slide Show. Não esqueça de incluir a legenda durante a exibição dos slides.

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