Gruta de Maquiné, Minas Gerais – Junho de 2009

 
A famosa Gruta de Maquiné fica a 2 horas de carro da cidade de Belo Horizonte. O caminho é bastante simples: você pega a BR-135 com destino a Brasilía, passar pela cidade de Sete Lagoas, e finalmente depois de alguns quilômetros pega a saída à direita para Cordisburgo, um povoado no fim-do-mundo que não tem nada – nem restaurantes – exceto o fato de ter sido o local de nascimento de Guimarães Rosa. A viagem é cansativa, irritante e perigosa, já que a estrada está terrivelmente mal conservada e o tráfego, pesadíssimo (corredor entre Minas e o Centro-Oeste), flui em uma rodovia de mão dupla. Passar uma fila de caminhões enormes e ultra lentos nessas condições não é exatamente divertido. Para concluir, a sinalização é uma piada e quase perdi a entrada de Cordisburgo. Mas no final das contas vale a pena. A gruta é uma daquelas gemas turísticas pouco conhecidas no nosso país e fora dele. Uma das coisas mais belas e magníficas que vi em minhas viagens.
 
 
 
A gruta foi descoberta pelo fazendeiro Joaquim Maria Maquiné em 1825. Desde então tem sido um maná para paleontólogos, geólogos e espeólogos (sujeitos que estudam cavernas) do Brasil e do mundo. Ao chegar ao local você paga uma mixaria na entrada e ganha um guia (quer queira ou não) para acompanhá-lo. No final do passeio você decide se vai dar uma gorjeta para o figura ou não. O estacionamento principal é amplo e gratuito. Logo na entrada existem banheiros e um resturante/lanchonete.Os visitantes têm acesso aos sete salões gigantescos (e explorados) da gruta durante o tempo limitado de aproximadamente duas horas, já que a temperatura interna é alta e a humidade também. Mas que duas horas naquela sauna gigante seria perigoso para algumas pessoas. Caminhos, passarelas e uma iluminação de primeiro mundo permitem que o passeio de quase meio quilômetro gruta adentro ocorra em segurança. Ajuda também o fato de que essa parte "turística" da caverna não possui desníveis significativos. Outra sensação gostosa durante a caminhada é a de isolamento completo e absoluto do mundo, um silêncio ensurdecedor, só quebrado vez por outra por uma frase solta e ensaiada do guia que, graças a Deus, tem toda a paciêencia do mundo para permitir que você curta momentos de reflexão e o processo de tirar fotografias com exposição mais demorada.
 
 
Existem duas épocas para visitar a Gruta de Maquiné: a estação seca e a estação de chuvas. Os locais garantem que são duas experiências distintas. Eu visitei durante a seca. A caverna é formada essencialmente por rochas de origem sedimentar a base de carbonato de cálcio (calcário) provenientes do fundo de mares antigos (1,000 a 600 milhões de anos atrás), mas também existe sílica (matéria prima para produção de vidro), gesso, quartzo e ferro. A quantidade de estalactites impressiona, mas é um pena que alguns vândalos e turistas mal-educados tenham quebrado várias delas ao longo dos anos. Como alguém pode ter tanta merda na cabeça a ponto de destruir formações rochosas calcárias que levaram milênios para serem criadas, gota a gota de água, a partir do teto?
 
 
 
Um dos grandes baratos durante a exploração da caverna é a tentativa de identificação de objetos, lugares, pessoas e animais a partir das formas únicas das rochas. Ao contrário de nuvens no céu, que mudam de forma a cada momento, aqui dá para gerar uma boa discussão dependendo do ponto de vista. Algumas são figurinhas fáceis, como as figuras abaixo: a cabeça de uma vaca; a ilha de Manhattan (foto invertida do teto, refletida em um espelho d’água no chão); bolas de sorvete de casquinha; cabeça de uma ovelha; um dente molar; e uma cachoeira. Infelizmente, mesmo com todas as atrações associadas à gruta, o número anual de visitantes não passa de 37.000, proporcionando uma receita de aproximadamente US $ 160 mil, muito pouco face a magnitude desse milagre da natureza. Uma análise mercadológica realizada por órgãos competentes (literalmente) deveria ser executada, buscando o aumento de receita que, no final das contas, seria parcialmente utilizada para sua manutenção e conservação do complexo. 
 

 
Apesar de toda a iluminação existente, o sistema não é a prova de falhas. O guia me disse que algumas vezes em noites de tempestade, em pleno passeio, as luzes se apagam. O pensamento de ficar dentro de uma caverna desse tamanho na completa escuridão não me apeteceu e seria o supremo pesadelo de quem sofre de claustrofobia (depois de ser enterrado vivo, é claro…) O próprio guia contou que ele precisou uma vez de toda a calma e conhecimento para encontrar a saída só com uma lanterninha. Outro fato impressionante refere-se a verdadeira extensão das cavernas, pois a Gruta de Maquiné é somente a mais famosa de um compexo de dezenas de cavernas da região, algumas ainda não exploradas. Pensei até em fugir do guia e encontrar os corpos carcomidos das meninas do filme clássico de horror "The Descent".
 
 
Visitar cavernas dá muita fome. Por isso, logo após minha aventura, dei um pulo na pequena Sete Lagoas para saborear uma boa comida local. Às margens do Lago do Paulino, acabei ficando no Restaurante Gondola – recomendado pelos locais como um dos melhores da cidade. Depois de uma salada para enganar minha consciência – eterna conselheira de uma batalha perdida contra obesidade – comi uma truta assada dos deuses, recheada com uma risoto de queijo branco. O preço cobrado foi mas alto que a média, mas valeu à pena não só pela qualidade e sabor da comida, mas pelo atendimento exemplar.
 
 

É isso.
 
Veja aqui quase 70 fotos em alta resolução da cidade da Gruta de Maquiné e Sete Lagoas, em Minas Gerais. Não necessita fazer nada, basta clicar no link abaixo:
 
Para melhor visualizá-las, sugiro que você clique no botão Slide Show. Não esqueça de incluir a legenda durante a exibição dos slides.

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