Coisas para fazer em Denver quando você não está morto – Setembro 2008 – Parte 1/2

 
Se você não conhece a cidade de Denver, no Colorado, pelo famoso filme do ator Andy Garcia do qual eu roubei e adaptei o título, então poderá faze-lo agora. Fundada em 1858 por europeus e imigrantes em busca de ouro, Denver fica praticamente aos pés das Montanhas Rochosas (Rocky Mountains). Uma das poucas cidades americanas não construída perto do oceano, lago, rio navegável ou mesmo próximo a uma rodovia ou ferrovia (não existentes na época). Denver está onde está por causa do ouro. O crescimento da cidade foi tão rápido, que historiadores acreditam que ela teve mais saloons per capita que a maioria dos grandes centros do Oeste Americano da época, tais como New Orleans, Philadelphia e Kansas City. O nome foi uma homenagem ao governador do Estado do Kansas, James W. Denver.

File:Denver Colorado 1898 LOC 09570u.jpg
Denver em 1898…
 
…e hoje.
 
Nós pegamos só alguns dias de tempo nublado, o que foi um azar, já que o estado recebe sol 300 dias de sol em um ano. Os locais dizem que o clima é sempre agradável em Denver na primavera e no outono, o que comprovamos na prática: nunca foi muito quente ou muito frio. Agora para ver neve, basta subir as montanhas ou esperar pelo Invernão. A cidade que nos deu o fabuloso conjunto Earth, Wind and Fire, também é conhecida como "The Mile High City", porque se localiza a exata 1 milha acima do nível do mar, o que não significa nada já que sua localização especial é pura coincidência. Portanto, a advertência para qualquer turista se resume em dois itens: protetor solar (em Denver estamos bem mais perto do sol) e muita água (o ar é muito seco a essa altitude). Verde por excelência, Denver possui mais de 200 parques que cobrem 81 quilômetros quadrados de bosques, além de 1,400 quilômetros de ciclovias pavimentadas. Mas o lance mais espetacular é que morando lá você pode fazer todo o tipo de atividade que envolva montanhas – esqui, snowmobiling, alpinismo, caçada, pescaria, vela, passeio à cavalo, trilha, canoagem e outras – saindo de manhãzinha e retornando a tempo para jantar, dado a proximidade da cidade às Rochosas. Como consequência, Denver tem a maior proporção de cidadãos magrinhos dos EUA, segundo estudos federais. 50% dos 600 mil habitantes estão absolutamente em forma, tipo medida de livro de medicina mesmo. 75% da população é branca, com uma reputação de não ser lá muito gentil com imigrantes (embora eu não tenho notado isso enquanto estive lá).
 
 
A primeira atração da cidade é a região conhecida como LoDo (Lower Downtown), localizada na área central e que hospeda o berço da cidade, a Larimer Street. O LoDo já foi uma região bem barra-pesada até alguns anos atrás, quando o governo investiu e renovou boa parte dos prédios históricos e transformou a Larimer Street em uma rua de um bloco de tamanho, repleta de lojas da moda, restaurantes finos, bares e clubes que levam a reputação de serem os mais quentes da cidade. No hotel Windsor, localizado em uma das esquinas, hospedaram-se famosos da era de ouro do Oeste, como Bat Masterson, Jane Calamidade, Buffalo Bill e Ulysses S. Grant.
 
 
Uma das lojas mais famosas da Larimer Street que merece uma visita é a Cry Baby Ranch, uma gift shop com coisas do Estado do Colorado, mas ultra moderna. Todas as peças são exclusivas e incrivelmente criativas. Não é um bom lugar para deixar uma mulher com um cartão de crédito…
 
 
O centro da cidade, Downtown Denver, é muito seguro tanto de dia quanto à noite. Caminhando, usando o excelente transporte público ou de bicicleta, você vai encontrar prédios históricos (tipicamente vitorianos) x pós-modernos, ver gente jovem e bonita, curtir lojas e restaurantes de grife e se admirar com a organização e a limpeza da cidade. Graças ao seu isolamento geográfico, ao longo dos anos Denver tornou-se um hub cultural, ditando tendências para todo a região e, mais tarde, para o país: arte, música, recreação, vida noturna e moda. O centro da cidade reflete isso dada a vitalidade que exala, fácil de sentir quando você passeia e curte sua peculiar urbanidade. Com toda essa bocada disponível, não poderia faltar cerveja! O centro de Denver tem mais micro cervejarias que qualquer outra cidade americana. E elas fabricam a boa marvada bem na sua frente. Last but not least. Em 2005, Denver foi a primeira cidade americana a legalizar o uso de maconha, desde que você tenha pelo menos 21 anos e faça o consumo de menos de 28 gramas dentro do aconhego do seu lar. Já está pensando em se mudar para Denver?
 

 
 
Outra grande atração do centro da cidade é o Capitólio de Estado – uma cópia encarnada do de Washington – que consegue a proeza de ser ainda mais bonito que o de Austin. O Colorado State Capitol Building reune a moçadinha dos três poderes estaduais: deputados (House), senadores (Senate), juizes da suprema corte, além do governador. Você leu certo, toda essa galera em esfera estadual. Construído para durar 1,000 anos (até agora está ganhando disparado do 3o Reich…) e com 83 metros de altura, o capitólio – todo em granito – levou 22 anos para ser finalizado em 1888. Não se paga nada para fotografar e babar com a beleza do interior enquanto se exploram os três andares. O que se vê é todo mundo torcendo o pescoço pelas escadarias e corredores, para ver melhor o os detalhes e o esplendor arquitetônicos.  A subida e a tour pelo domo deve ser agendada com antecedência de até 6 meses, pela Internet, e não tem custo. A vista da cidade lá do alto faz valer a pena tamanha necessidade de antecipação.
 

 
 
Na frente do capitólio fica uma imensa praça, o Civic Center Park, cheio de flores, esquilos para todo o lado, um anfiteatro grego – palco de concertos ao ar livre, fontes, trinta diferentes tipos de árvores, um memorial de guerra e estátuas, muitas estátuas. O parque historicamente hospeda eventos importantes da vida da cidade, tais como festivais, protestos políticos e paradas, como a indefectível de 4 de Julho. Aqui se encontra o principal cartão postal de Denver, a famosa estátua "Bronco Buster", um cowboy em seu cavalo.
 
 
Outra atração legal do centro da cidade é o 16th Street Mall, uma rua inteira transformada em calçadão, que na verdade é um shopping center ao ar livre. Tem até uma linha de ônibus ultra confortável – The Mall Ride – que corta toda a extensão dos 15 blocos de graça, quase como metrô de superfície, e que roda a cada 90 segundos. Opcionalmente, você pode caminhar, alugar taxis-bicicleta para um passeio romântico, ou mesmo explorar a bonita via de charrete. Custou os olhos da cara para construí-lo – 76 milhões de dólares – mas valeu cada centavo: pavimentada toda em tijolinhos de granito vermelhos e cinzas, a alameda conta com 200 carvalhos, uma dúzia de fontes, zona Internet wi-fi de grátis, estátuas e um sistema de iluminação que parece ter sido projetado por George Lucas.
 
 
Para finalizar um passeio pela 16th Street Mall, recomendo um jantar no restaurante da moda, o mais popular de Denver no momento: o Vesta Dipping Grill. É caro pra cacete, tem gente saindo pelo ladrão, demora-se à beça para conseguir uma mesa, mas vale pela comida gourmet celestial. Os aperitivos – pãozinho com alho e dumplings japas – estavam deliciosos. Eles servem pedaços de carne (peixe, gado ou porco) grelhados ou assados, com um montão de potinhos de diferentes molhos para você mergulhá-los dentro (o tal "dipping"), antes de saboreá-los. O mesmo vale para as sobremesas. Por exemplo, um pedaço de brownie vem acompanhado com molhos doces. Malandro, como se diz no Rio de Janeiro, eu vou te dizer uma coisa pra você: bom demais… O ambiente tem excelente música comtemporânea e é escurinho na medida certa, ideal para uns bons amassos ou passadas de mão embaixo da mesa. Tudo com muito bom gosto, claro.
 

 
Visitando Denver você não pode deixar de fazer o tour dentro do U.S. Mint, um dos cinco prédios governamentais ultra seguros que tem a finalidade de fazer bilhões de moedas por ano e armazenar ouro e prata. Construído a partir de 60,000 metros cúbicos de granito e 1,000 toneladas de aço em 1906, ele ajudou Denver a se tornar um grande centro financeiro da América. Recomenda-se fazer reservas (também por Internet) com alguns meses de antecedência, já que o passeio é bastante disputado e as vagas, limitadas. A segurança, bem paranoica, permite basicamente a roupa do corpo para o passeio: minha esposa ficou do lado de fora porque esqueceu de deixar o celular no carro. A tour mostra todo o processo de fabricação e fotos são proibidas. Lá você descobre que as últimas moedas de ouro e prata de verdade foram cunhadas em 1935. Hoje elas são feitas de uma liga de cobre e níquel. Eu sei, eu sei o que você está curioso para saber e a resposta é sim, o U.S. Mint já foi roubado com sucesso uma única vez. Em 1922, um bando conseguiu US $ 200,000 – uma fortuna de milhões para a época – no lugar menos seguro do complexo: o lado de fora, quando os guardas carregavam os caminhões. Segundo a polícia todos foram todos pegos mas, estranhamente, ninguém foi indiciado. A polícia recuperou 80K, mas o restante ficou na mão de um político local influente que… também nunca foi indiciado.
 
Presidency in Washington, DC Reverse
 
Bem perto dali se localiza o Colorado Convention Center, que hospeda o outro cartão postal da cidade: um imenso urso azul de 12 metros feito de 5 toneladas de aço, fibra de vidro e cimento, pelo escultor Lawrence Argent em 2005. O ursão fica do lado de fora apoiado contra o paredão de vidro, parecendo espiar alguma coisa dentro do hall. "The Big Blue Bear" é fotogênico pra caramba e, por isso, não dá para passar em Denver sem tirar uma foto com ele.
 
 
 
Continua…
 
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One Response to Coisas para fazer em Denver quando você não está morto – Setembro 2008 – Parte 1/2

  1. Claudia says:

    Eu quero morar la…

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