Novembro de 2008 – Cancun, Mexico – Parte 1/2

 
Cancun. 4 dias. Sem crianças pentelhando. Uma escapada romântica. Bem, tirando o fato de eu ter obrigado minha esposa a carregar um cooler vazio na sala de espera VIP da primeira classe do Aeroporto de Houston. Deixando de lado de que eu a convenci a fazer compras no mercado local para não ter que pagar o preço do café da manhã cobrado pelos hotéis. Cheap bastard. Ninguém é perfeito…
 
Aproveitando as milhas que tinha da Continental Airlines e da rede de hotel Marriott (show off…), decidimos gastar alguns dias nesse paraíso espremido entre belíssimas praias de águas mornas e uma imensa lagoa. Parece incrível, mas é bem mais "barato" curtir as férias no Mar do Caribe do que no Nordeste brasileiro. Vá entender. As praias daqui são muito mais bonitas do que boa parte das nordestinas, rivalizando até com algumas Havaianas. Creio que por causa da cor azul turquesa das águas calmas e das suas areias extra fofas, que geram uma receita de três bilhões de dólares anualmente.
 
 
Cidade da costa Atlântica do Mexico, Cancun é um reconhecido playground de americanos. São mais de 150 hotéis e 380 restaurantes. Por isso, se você está buscando uma experiência de imersão na cultural local mexicana, lugar errado… Tudo aqui é desenhado para agradar seu público alvo, com hotéis e restaurantes bem estadunidenses. Nós visitamos o lugar na baixa temporada, por isso tivemos paz e sossego durante todo tempo. Na alta, você provavelmente vai se bater com a maior parte dos 4 milhões de visitantes que o balneário recebe todo ano. Curioso como tudo se desenvolveu tão rápido desde 1970, quando então Ponta Cancún era somente um conjunto de praias mais retiradas…
 
 
 
Não dá para curtir Cancun sem ficar em um dos hotéis de luxo da orla. Literalmente. Só existem três passagens (duas delas bem obscuras) para as famosas praias ao longo de todo o litoral: hotéis e/ou condos ficam uns colados aos outros. Teoricamente por lei as praias são públicas e todos as edificações deveriam permitir acesso livre a elas. Naturalmente que isso não acontece: seguranças brucutus cortam qualquer tentativa. Eu testei pessoalmente em duas oportunidades, uma delas posando de turista americano. Minha teoria se comprovou durante um longo passeio matinal onde praticamente não encontramos "nativos".
 
 
Por causa do jeito que o balneário é estruturado, muita gente acha burrice alugar um carro. O negócio seria ficar em um resort e relaxar. Além do mais, por Cancun ser uma ilha em forma de uma longa tripa, só existe uma grande estrada de mão dupla entre a lagoa e a praia. De fato, o trânsito durante a alta temporada deve ser um inferno e essa via de acesso deve virar um grande estacionamento. Mas acabei alugando um carro mesmo assim, para explorar o paraíso e economizar uma grana preta em taxi (o que de fato se concretizou, como planejado). Infelizmente, esqueci que estávamos no México e não nos EUA. Pelo mesmo preço que alugaríamos um super carro em nossa terra adotiva, aluguei uma "coisa" carinhosamente apelidada de matchbox por minha esposa. Os adjetivos que descrevem o carro batem perfeitamente com os do meu perfil de amante: feinho que dói, uma eternidade para dar a partida, péssima performance nas curvas, "durão" de dirigir, sem som e, sobretudo, pequeno.
 
 
Ficamos em dois hotéis durante a nossa viagem. O primeiro foi o Hilton Cancun Golf & Spa Resort, uma jóia de hotel cinco estrelas. Tudo bem que cobram até para você respirar, mas se você como nós (bem, como eu…), comer fora, comprar seu café-da-manhã no mercado e não tocar no minibar, fora de temporada dá para encarar. Tudo bem que não é todo mundo que tem uma esposa que tolera fazer farofa de manhã na sacada do quarto… Pobre é uma merda. Mas a vista espetacular, o serviço de primeira, instalações de luxo, complexo de piscinas de cair o queixo e o praia parasidíaca bem em frente, tudo isso fez com ela perdoasse o maridão pão-duro. Eu acho…
 
 
O segundo hotel foi o CasaMagna Marriott Cancun Resort, um cinco estrelas da rede americana Marriott. Depois de quase um ano meio viajando pelo mundo, hospedando-me em hotéis da rede e acumulando trocentos pontos eu tive direito a… duas noites (!?) de graça. Depois eu que sou o pão-duro… Esse hotel era quase um irmão gêmeo do Hilton em termos de qualidade e benefícios oferecidos para seus hóspedes. A duas grandes diferenças: nossa cama, que além de ultra confortável, ficava de frente para a sacada e um desbunde de vista; os preços das coisas, especialmente bebidas – por isso pedi para minha mulher levar o cooler. Não, não me dê esse olhar crítico de reprovação…
 

 
O primeiro lugar que escolhemos para a jantar fica na beira da Lagoa Nichupe, o famoso Captain’s Cove, especializado em frutos do mar. Além da vista espetacular, a comida é fresca e uma delícia, com destaque para o coconut shrimp com molho de laranja (dip). Mas a grande atração mesmo são os "sócios"do estabelecimento que vêm te visitar, especialmente se você está sentado em uma mesa à beira da lagoa. Quando eu disse a minha esposa que a gente comia pertinho dos jacarés, ele me perguntou candidamente com sua voz doce e meiga: "Você está de sacanagem?" Não, não estava. Mas eles são bem comportados e, a julgar pela quantidade e proximidade, muito bem alimentados. E a uma distância segura…
 
 
Para os amantes de esportes aquáticos (e que podem pagar os preços salgados associados), Cancun é Meca da categoria. Não só os hotéis oferecem diversos pacotes, como também reservas podem ser feitas por sua própria conta. Mergulho (autônomo ou não), aluguel de jet skis, esquí aquático (ou barefoot sking – pés descalços), vela, pesca em alto mar, kite surfing (usar uma pára-quedas como propulsor, para prática de esqui aquático) e, sobretudo, parasailing. Este último é uma frebre por aqui: o caboclo vestido com um pára-quedas aberto é arrastado por uma lancha a motor. Tem uns que possuem até cadeirinha para um passeio romântico mais ousado a dois…
 

 
Um dos maiores problemas de Cancun é a erosão de sua faixa litorânea. Além da imbecilidade e ganância dos empreendedores e políticos mexicanos que permitiram construções monstruosas excessivamente perto da praia, os furacões Gilbert (1998) e Wilma (2005) "levaram" um bom naco das areias do paraíso. O Governo já gastou desde 2005 cerca de 19 milhões de dólares para consertar o avanço inexorável das águas, mais infelizmente uma longa e romântica caminhada pela praia já não é mais praticável (vejam as fotos abaixo) e alguns hotéis já tem seus pátios e piscinas invadidos pela maré.
 
 
Outro problema muito pior é o índice alarmante de suicídios, o segundo maior do México em números absolutos, quase 200 por ano. Muitos acreditam que a maior motivação seja a depressão causada por conta de trabalhar em lugares túristicos luxuosos e ao mesmo tempo viver em condições de pobreza. Para "ajudar", como turista, o americano típico é bem mal educado comparado a outras nacionalidades, portando-se muitas vezes como crianças mimadas. Em várias oportunidades tive oportunidade de observar comportamentos altamente reprováveis (fora dos EUA, claro…), especialmente para com mexicanos. Curioso, porque embora não seja um modelo de eficiência, o serviço mexicano é muito cortês e amigável, beirando a submissão.
 
 
A vida noturna da Cancun conta com uma reputação legendária, principalmente na alta temporada, quando legiões de jovens americanos bêbados e ensandecidos, longe dos grilhões paternos e do falso puritanismo, chutam o balde com concursos de camisetas molhadas, bebedeiras homéricas e demonstrações públicas de nudismo, entre outras. Mais detalhes sobre esse wild side da juventude americana, no meu futuro blog sobre a nossa vida na América. Como visitamos o balneário na baixa, deu para passear à noite sem muita atribulação, fora os mexicanos que imploravam e nos assediavam para que entrássemos nas suas casas noturnas. Boa parte da estrutura é bem americanizada, tipo armadilha para turistas, mas o tipo de arapuca que não nos importamos de cair. Para os que não passam sem umas comprinhas, em downtown existe tanto uma numerosa quantidade de gift shops cheias de lembrancinhas mexicanas, como sofisticados malls com lojas de grife.
 
 
 
O mall mais famoso de Cancun é o La Isla Shopping Village,  excelente local para "ver gente", fazer compras e comer, se você tiver bala na agulha para pagar em média US $ 200 por refeição para duas pessoas. Não comíamos churros recheados com doce de leite a quase três anos e aqui matamos a vontade em uma barraquinha sem vergonha próximo ao Aquarium. Fantástico. Aqui você encontra lojas de lembranças mais upscale, com peças realmente impressionantes, com destaque para a loja Casa Bonita. O lugar em si é muito vistoso, colado com a lagoa e, por isso, as lojas ficam em meio a um mini-complexo de canais.
 
 
Em downtown Cancun o restaurante típico mexicano que recomendo é o Casa Tequila, que serve ótima comida a preços razoáveis e tem um bom serviço de atendimento. Minha esposa dissa que a Margarita daqui é fantástica. Nós escolhemos fajitas, um prato tradicionalíssimo mexicano feito de carne grelhada cortada em tiras, acompanhada de nachos, tortillas, guacamole (uma pasta de abacate, só que salgado), arroz,  frijoles (tipo feijão manteiga) e salsa picante (um molho de tomate ultra apimentado). A decoração é bem mexicana: muito colorido e motivos católicos.
 
 
 
Continua…
Advertisements
This entry was posted in América Latina. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s