Março de 2008 – Curitiba, PR – Parte 2/2

 
Dos séculos XVIII ao início do XX, o Largo da Ordem costumava ser uma área de intenso comércio. A tradição cabou mantida, porque aos Domingos uma grande feira de artesanato – a famosa Feirinha do Largo da Ordem – acontece aqui. Limpa, organizada e extremamente popular, você encontra de tudo a preços razoáveis: bijouterias, pinturas a óleo, casas e roupas de boneca, tapeçarias, esculturas, antiguidades, comidinhas, livros e discos usados, moedas e outros. Mesmo os locais frequentam assiduamente a feirinha, que se tornou uma opção de programa família aos Domingos.
 
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Bem próximo ao Largo da Ordem você encontra a mais tradicional confeitaria de Curitiba: a Padaria América (http://www.americapadaria.com.br), desde 1913 servindo pães, frios, doces e delícias do outro mundo. Todas as receitas são fiéis às originais alemãs do século passado, em grande parte artesanais. É raro o dia em que você não tenha que enfrentar fila para comprar qualquer coisa. Um produto especialíssimo vendido somente em alguns meses do ano (próximos ao Natal e a Páscoa) é o Stolen, uma pão de massa fina recheado com frutas cristalizadas e nozes. Eu venderia minhas filhas por um desse…
 
Padaria America 1Padaria America 3aPadaria America 3bPadaria America 3e

 
Falando en tradição em Curitiba, não poderia deixar de lado alguns ícones gastronômicos da cidade. O X-Picanha do Waldo (http://www.waldoxpicanha.com.br/) que nos anos oitenta era tudo (atualmente o Waldo original perdeu a marca e as lanchonetes para terceiros). As "batatas suiças"do Beto Batata (http://www.betobatata.com/), recheadas com queijo, bacon, bacalhau, salmão, presunto, carne seca… Ponto de encontro de amigos, especialmente para um papo cabeça. As míticas empadas de massa folhada (especialmente as de palmito) do Caruso, que ainda gera polêmica se os homens vão pela empada ou pela dona atual da lanchonete, pertencente à quarta geração do negócio que começou em 1954…
 
Waldo X-Picanhaaaa
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Curitiba possui uma grande quantidade de confeitarias sublimes. Os destaques vão para a Confeitaria Lancaster (http://www.confeitarialancaster.com.br/), tradicional provedora de tortas para deuses, e para a Piegel (http://www.piegel.com.br/), o café colonial mais espetacular da cidade. Imagine um buffet de tortas, doces e salgados finos, comidinhas quentes, frios, pães, café, chá, sucos, sorvetes… Agora imagine que tudo que você vai comer tem qualidade. A torta prestígio que eles fazem deve ria ser proibida em 22 Estados e categorizada como arma de destruição em massa. Não dá para saber por onde começar a esbórnia gastronômica. E tudo isso em um ambiente chiquérrimo! E o preço é supreendentemente acessível. Imperdível.
 
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Muita gente vem à cidade só pelo circuito gastrônico antológico. Em geral, comer em Curitiba significa comer bem, com qualidade, em quantidade e barato. Um dos ícones da cidade é o bairro de imigrantes Italianos Santa Felicidade, lotado de restaurantes onde você paga uma taxa e pode comer italiana até explodir. O famoso Madalosso (http://www.madalosso.com.br/) tem o seu valor turístico, mas como diz o meu irmão, "macarrão eu como em casa…" Um bom restaurante de Santa Felicidade, não oferece somente espaguete, polenta, frango frito e miúdos de frango, mas também: carnes nobres no espeto e grelhadas; diversas massas italianas artesanais; saladas diversas; pratos frios e quentes; sobremesas; e outros. Portanto, depois de cruzar o arco que anuncia o bairro que é um ode à gastronomia, recomendo os seguintes restaurantes: Velho Madalosso (http://www.velhomadalosso.com.br/); Dom Antonio (http://www.domantonio.com.br/); Famiglia Fadanelli (http://www.famigliafadanelli.com.br/); Piemonte Grill (http://www.piemontegrill.com.br/) e o Churrascão Colonia (http://www.churrascaocolonia.com.br/).
 
Portal de Santa Felicidade 1aaaaaaaaaaaaaaa
 
Fora de Santa Felicidade, existem inúmeros clássicos. Eu tenho dois favoritos. O primeiro é o Mangiare Felice (http://www.mangiarefelice.com.br/) no Juvevê (o bairro de Curitiba que deveria ter sido chamado "Juvenal", mas o cara que batizou era gago…). Perfeição é o que me vem à mente: atendimento impecável, incluindo todo o mumbo jumbo da tradição italiana de servir; comida pecaminosamente calórica e saborosa; ambiente tipo mais-italiano-impossível. Um gol de placa. Meu prato predileto no meu restaurante predileto é o polpettone recheado acompanhado por gnocchi quatro queijos. Depois de uma refeição dessa, você provavelmente terá que correr uns 50 anos-luz de distância na esteira para voltar à forma, mas valerá cada segundo…
 
Mangiare Felice 1Mangiare Felice 4
Mangiare Felice 6Mangiare Felice 7Mangiare Felice 8
 
Meu segundo restaurante favorito é o Oriente Árabe. Localizado no Largo da Ordem, próximo ao Relógio das Flores, trata-se de uma pérola gastronômica. O restaurante serve à la carte, mais o grande barato é mergulhar no maravilhoso rodízio de 21 pratos nobres da cozinha árabe, todos trazidos na sua mesa: abobrinha recheada; kafta; costelinha de cordeiro assado (que derrete na boca); pita bread fresco e quentinho; charuto de repolho; espeto de mignon; quibes dos deuses; esfihas com vários recheios… Hmmm. Irresistível. O ambiente é bem simples, mas o serviço é ágil e eficiente.  
 
Restaurante Oriente Arabe 1Restaurante Oriente Arabe 4Restaurante Oriente Arabe 5Restaurante Oriente Arabe 6aRestaurante Oriente Arabe 6bRestaurante Oriente Arabe 6dRestaurante Oriente Arabe 6c
 
A Avenida das Torres representa outro "corredor" gastronômico curitibano. Aqui vale destacar os seguintes restaurantes: o Lonatto (http://www.lonatto.com.br/), um restaurante no estilo daqueles de Santa Felicidade; a Per Tutti (http://www.churrascariapertutti.com.br/) uma churrascaria de padrão gaúcho, com um preço inacreditável para a comida que serve, especialmente na promoção noturna (em Curitiba, ao contrário dos EUA, jantar é mais barato…); o Peixão, um restaurante de frutos do mar onde, bem, servem um peixão recheado inteiro na mesa que serve várias pessoas; e aquela que é considerada a melhor churrascaria de Curitiba, a Napolitana que oferece trocentos cortes tradicionais e nobres (includindo inacreditáveis peças de mignon, picanha e alcatra), servidos em três variedades: no espeto corrido, filé grelhado e filé coberto com ervas finas. Como dizia a bisavó de um grande amigo meu com sua voz doce e meiga: "Puta que o pariu!"
 
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Fora de Santa Felicidade e da Avenida das Torres, recomendo: a Devon’s (http://www.devons.com.br) deliciosa churrascaria de carnes nobres localizada no Centro Cívico que no Sábado oferece o maior desafio gastrônico da cidade – rodízio de carnes + buffet de feijoada completa (para entupir a máquina de lipoaspiração do seu cirurgião plástico favorito); o Divino Mestre, no bairro de Água Verde, churrascaria rodízio que elevou o filé argentino e a costela de boi à categoria de obra-prima; e o Dom Gabriel (não deixe de experimentar o gnocchi frito ao molho de cogumelos), outro restaurante no estilo de Santa Felicidade, só que localizado no bairro mais chique de Curitiba, o Batel.
 
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Sobre a fauna curitibana, vale a pena citar dois famosos membros. O primeiro é o quero-quero, pássaro onipresente na cidade que defende seu ninho valentemente a bicadas, como minha esposa tristemente descobriu ao vivo e a cores, quando tentou chegar perto de uns ovinhos do bicho anos atrás. Para que você tenha uma idéia da importância da ave para os curitibanos, a hierarquia de comando da unidade de TI do Boticário era assim, em ordem de conhecimento do negócio e da infra-estrutura da empresa: CIO, gerentes de área, gerentes de projeto, programadores e técnicos de infra-estrutura, secretárias, terceiros contratados, os quero-quero (que vivem nos jardins e nos gramados da empresa) e, finalmente, os estágiarios. O segundo bicho famoso é a aranha marrom, temida e respeitada por todo curitibano, desde a tenra idade, quando aprende a olhar dentro das meias e calçados antes de colocá-los no pé. Se não tratada, uma picada de aranha marrom por levar à morte um pequeno e necrosar em menos de 3 dias uma boa área da região picada em um adulto.

Botanic Garden - Quero Quero 1aaa aaa

 
Entre os ídolos da cultura pop curitibana, três destaques. A banda Blindagem que emplacou um único sucesso nos anos oitenta. O Oil Man, um ex-professor universitário que besunta óleo no corpo e anda de bicicleta pelas ruas da cidade só de sunguinha e tênis. Dizem os locais que se o buraco na camada de ozônio chegasse a Curitiba, os únicos sobreviventes seriam as baratas, os advogados e o Oil Man. Finalmente, a Mulher da Cobra, que por 20 anos anuncia com sua voz única venda de bilhetes da Loteria Federal.
 
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Eu confesso que esta entrada no meu blog não foi completamente desprovida de um viés a favor da cidade e seu povo. Mesmo sendo carioca da gema, eu vim morar em Curitiba quando tinha dezoito anos. A cidade me acolheu tão bem, permitiu-me que eu a chamasse de Lar, que acabei me apaixonando. Além disso, foi aqui que encontrei o amor da minha vida e tive duas gemas preciosas, todas elas representando o Norte da minha existência. Desculpe, mas… como ser imparcial? Sou curitiboca, com orgulho. Te amo, minha Curitiba. Jamais te esquecerei…
 
girlsBotanic Garden
 

Veja aqui todas as fotos (quase 400) em alta resolução da amada cidade que me adotou como filho:
Para visualizá-las (slide show) é necessário um cadastro no yahoo.com ou yahoo.com.br, ou direto no flickr.com
Não esqueça de incluir a legenda (options, abaixo à direita – marque always show titles) durante a exibição dos slides. Todas as fotos podem ser baixadas/downloaded em altíssima resolução.
 
Para fotos ainda mais espetaculares da cidade, não deixem de explorar esse link com shots de Curitiba feita pelo fotógrafo amador (???) Jefferson Sefrim:

 

É isso.

 

PS: Um aviso de utilidade pública sexista. DEUS! Como têm mulher bonita nessa cidade! E dispostas a casar com caras feios como eu! Se a lata não ajuda, talvez você tenha uma chance se mudar para Curitiba, meu chapa…

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3 Responses to Março de 2008 – Curitiba, PR – Parte 2/2

  1. Claudia says:

    Amorzao…
    Muito lindo, emocionante e autentico!
    Amei cada palavra!
    Obrigado por essa homenagem a Curitiba.
    Beijao
     
     

  2. Luciano says:

    Roteiro gastronomico completo, perfeito.Alias, tenho que provar o quanto antes todas as dicas e recomendações!!!"Yes!! I ‘feel’ good…"Parabens de novo!

  3. Jurandyr says:

    Li a primeira entrada e me vi forçado a ler esta segunda. Estão aí os principais motivos da minha alegria por TEREM escolhido para mim, esta cidade para fixar residência com mulher e dois filhos há 22 anos atrás. Viemos da quente cidade do Rio de Janeiro (capital nacional do jeitinho brasileiro), para entrar numa fria, segundo maldosos comentários dos "amigos" de plantão na época. Em Curitiba pude contemplar e aplaudir o desenvolvimento cultural, moral, emocional e tecnológico dos meus dois filhos afinal, a capital aqui descrita, é um puta incentivo para quem quer realmente evoluir. Estive aqui antes, entre os anos de 1968/69, trabalhando no extinto BNH e onde o autor com um aninho viu nascer Pedro, seu irmão curitibano, enquanto morávamos no bairro do Bom Retiro. Curiosamente, foi deste bairro que Paulo e família se transferiram para a América do Norte com mínimas dificuldades de ajuste. O autor tem toda razão, para brasileiro não há melhor vestíbulo para o ingresso num país como os Estados Unidos do que a fria, porém maravilhosa, Curitiba.
           

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