Março de 2008 – Dallas, Texas

 
Quem matou JR? Se você tem mais de 35 anos já vai começar a escutar aquela musiquinha de abertura do seriado americano Dallas dentro da sua cabeça. Pronto! A trilha sonora perfeita para essa entrada no meu blog.
 
O pessoal que mora no Estado do Texas não considera Dallas como um grande ponto turístico. De certa forma, não dá para comparar com San Antonio, Houston, Galveston, etc. Mas esta cidade de quase 1 milhão e meio de habitantes tem lá os seus encantos. Vou tentar mostrar agora.
 
Levei a família para gastar três dias na região de Dallas. A viagem de Houston a Dallas de carro toma 4 horas, sem grandes dificuldades: como todos os caminhos no Texas, um grande retão com uma paisagem monótona. Dallas, como Houston, tampouco possui grandes elevações ou belezas naturais. Fundada em 1841, tem sua economia baseada em telecomunicações, tecnologia computacional (lembra da Texas Instruments?), bancos e, naturalmente, petróleo. O filme clássico "Giant" (Assim Caminha a Humanidade) fala bastante sobre a história e a reputação da indústria de Petróleo nos EUA. Outro clássico moderno é "There Will Be Blood" com a impecável atuação de Daniel Day-Lewis.
 
Dallas Skyline 1
Dallas Skyline 3Dallas Skyline 4
 
Começamos nossa aventura em uma cidade satélite de Dallas, Irving, dentro do parque de diversões Six Flags Over Texas (http://www.sixflags.com/overTexas/), uma das experiências mais frustrantes em viagens que enfrentamos. O parque em si é muito bom, com várias atrações radicais (embora um pouco "gasto" em termos de manutenção e muito fraco atendimento ao cliente). O problema foi que eu sempre planejo metodicamente todas as viagens com antecedência de meses. Mas no caso desse parque, foi um impulso: o ticket estava a US $ 25 por cabeça (uma barganha para um parque desse tipo) e nós iriamos em uma sexta-feira. Um risco calculado. Ledo engano. Simplesmente escolhemos o dia em que o parque ficou mais cheio nos últimos 5 anos (como vim a saber mais tarde). O povaréu que foi não era lá muito católico e educado, formando um multidão que mal conseguia se movimentar. Além dos "guardadores" de lugar em fila (coisa pouco comum para americanos típicos e educados), tinhamos que enfrentar uma galera que pagou US $ 90 para ter um passe "expresso" que permitia furar filas. Só descobri de existência desse esquema lá, na hora. Para piorar, o calor era de lascar.
 
Six Flags over Texas - Old West 5Six Flags over Texas 22Six Flags over Texas 28
 
Gastamos 7 horas lá dentro. As meninas andaram de carrossel, todos nós fomos na queda-quase-livre Superman e deu. Só na fila da montanha-russa Batman esperamos aproximadamente 3 horas, para depois desistir e ir embora. Bummer!
 
Six Flags over Texas - Batman The Ride 0Six Flags over Texas - Superman 0Six Flags over Texas - Superman 3
 
Para compensar o desapontamento geral da tropa, optamos por exceder um pouco o budget e jantar (cedo) em um lugar legal. Dallas não possui uma cozinha própria e característica. Assim como Houston, você encontrar restaurante de todas as partes do mundo, de diferentes qualidades e preços. Como sua cidade irmã, o que predomina são steak houses (churrascarias a la carte) e tex-mex (comida mexicana). Como estávamos a fim de um peixinho, decidimos ir a um restaurante da cadeia Pappadeaux (http://www.pappadeaux.com/). O ambiente é excelente para famílias, mas um pouco barulhento. Peixe e camarões fritos com batata-frita é tiro certo. Pratos mais sofisticados, como linguado ao molho de camarões acompanhado de dirty rice (um arroz picante), são igualmente deliciosos.
 
Papadeaux Restaurant 1Papadeaux Restaurant 13Papadeaux Restaurant 2Papadeaux Restaurant 9Papadeaux Restaurant 10
 
Em seguida nos dirigimos para o descanso merecido no Hotel. Na verdade, um Motel (Motor Hotel – você estaciona o carro literalmente na porta de entrada do seu quarto), a maneira mais barata e menos pior de se hospedar nos EUA. O segredo para não escolher uma bomba suja em uma vizinhança ruim é fazer a pesquisa em um site de reviews de clientes (como o TripAdvisor) antes de encarar a reserva on-line. Em média são US $ 70 por noite, quatro pessoas, duas camas queen, banheiro próprio, internet wireless e tv a cabo grátis e café-da-manhã (buffet) razoavelmente decente incluido. Às vezes nesse tipo de hotel rola até uma piscininha esperta disponível, como o caso do nosso, o La Quinta Inn Dallas NW (http://www.lq.com/lq/properties/propertyProfile.do?ident=LQ547&propId=547). Na verdade, infinitamente melhor que muita pousada "chique" de Angra dos Reis e Parati, onde você "sente" o estrado de madeira quando deita na cama.  
 
La Quinta Inn Dallas 0La Quinta Inn Dallas 3La Quinta Inn Dallas 4La Quinta Inn Dallas 7aaa
 
Acordamos cedo e formos explorar Fair Park (http://www.fairpark.org), um complexo que reune várias atrações familiares. Ao contrário do parque de diversões, o lugar estava um deserto, todinho para nós. Gastamos quase um dia inteiro explorando, passeando e comendo aqui. Oiriginalmente construído para a Texas Centennial Exposition (http://www.texascentennial.com/) em 1936, hoje tornou-se um grande parque com múltiplas atrações recreacionais ou orientadas à educação. Várias edificações ainda mantém o charme art-deco original. Anualmente um dos eventos mais importantes do estado do Texas acontece aqui: o State Fair of Texas (http://www.bigtex.com/).
 
Fair Park - Leonhardt Lagoon 3Fair Park - Texas Star Ferris Wheel 2Fair Park - Texas Star Ferris Wheel 4
Fair Park 14Fair Park 5Fair Park - Leonhardt Lagoon 13
 
Iniciamos nosso passeio dentro do complexo de 1 km2, visitando o Museu de História Natural de Dallas (http://www.natureandscience.org/). O museu é uma combinação: o próprio Dallas Museum of Natural History (inaugurado em 1936), The Science Place (1946), The Dallas Children’s Museum (1995). Três pelo preço de um. Como todos os museus que visitamos na América, a idéia e imergir o visitante em um mundo de aprendizado, interatividade (sempre que possível) e linguagem acessível. Ciência (muito) divertida. Por exemplo, os simuladores de tornados podem ser manipulados por uma criança pequena, assim como os jogos de ilusão de ótica. Pode-se "ver com as mãos", enfim.
 
Dallas Museum of Natural History 2Dallas Museum of Natural History - Science Wing 5Dallas Museum of Natural History - Science Wing 7bDallas Museum of Natural History - Science Wing 6Dallas Museum of Natural History - Science Wing 8aDallas Museum of Natural History - Science Wing 12a
 
O museu conta com um acervo de dinossauros e animais pré-históricos de responsa. As crianças podem literalmente cavar partes de ossadas de dinosssauros de verdade em uma gigantesca caixa de areia aos pés de um Tiranossauro Rex. How cool is that? A única coisa meio creepy (ao menos para mim) foi visitar o setor de fauna Texana, cheia de animais empalhados. Parecem estranhamente vivos. Creio que o motivo de meu desconforto seja um livro de terror que li quando criança que contava a história de um recluso morador de uma cidade do interior americana, conhecido por criar estátuas de pessoas (particularmente mulheres e crianças) que beiravam a perfeição, tipo Michelangelo. No final da história descobriram que o caboclo não era artista coisa nenhuma, mais um excepcional taxidermista…
 
Dallas Museum of Natural History - Dinosaurs 1Dallas Museum of Natural History - Dinosaurs 12aDallas Museum of Natural History - Dinosaurs 13bDallas Museum of natural History - GrizzlyDallas Museum of natural History - Alligator
 
Em seguida, almoçamos em um autêntico restaurante de comida sulista americana (Southern food): The Old Mill Inn. Construído em 1936, oferece um ambiente bastante acolhedor e familiar, com serviço provido por um staff de afro-americanos. De arquitetura alemã, deu-nos um sabor nostálgico de Curitiba. A comida, tipo caseira, tem um preço justo, especialmente a deliciosa especialidade da casa, o Country Fried Steak, prato típico da cozinha sulista. Um tipo de bife à milaneza (sem a farinha de rosca) com uma molho marrom emcorpado chamado "brown gravy", um caldo de carne levemente engrossado com maizena. A sobremesa? Um clássico da "confort food", peach cobbler, torta de pessego quente com bolas de sorvete de buanilha. Por favor, não babe no teclado…
 
Old Mill Inn 3Old Mill Inn 1Old Mill Inn 8Old Mill Inn 9Old Mill Inn - Chicken-fried SteakOld Mill Inn 10
 
Depois da lauta refeição, partimos para o Hall of State (http://www.hallofstate.com/), construído para homenagear a República do Texas pela indecente e astronômica quantia de 1,2 milhões de dólares (isso em plena Grande Depressão, nos anos trinta, onde os salários pagos eram de 0,50 cents por hora). Considerados por muito o maior expoente da arquitetura art-deco no Texas, ele expõe seis estátuas de bronze de grande heróis texanos (com Stephen Austin e Sam Houston), placas de bronze comemorativas das batalhas do Álamo e San Jacinto, além do famoso Great Hall, um salão absurdamente luxuoso construído com diferentes tipos de mármore e limestone, medalhões em ouro e murais suntuosamente pintados. Você pode alugar o Hall of State para festas e jantares por módicos US $ 10,500 (até 300 convidados)…
 
Texas Hall of State 1Texas Hall of State - Interior 9cTexas Hall of State - Interior 10Texas Hall of State - Interior 3aTexas Hall of State - Interior 4Texas Hall of State - Interior 5
 
Bem à frente do Hall of State se extende uma longa esplanada, escorada por duas imensas edificações. De um lado, o Centennial Hall, um espaço para convenções empresariais, festas, disputas de esportes indoor e shows, ricamente decorado em suas paredes externas com murais pintados (art deco, 1936). Do outro lado da Esplanada, o Automobile Building, espaço utilitário similar ao Centenial Hall.
 
Fair Park - Splanade 1Fair Park - Splanade - Centennial Hall 3Fair Park - Splanade - Centennial Hall 6Fair Park - Splanade - Centennial Hall 2Fair Park - Splanade - Centennial Hall 8Fair Park - Splanade - Automobile Building 1
 
Outra construção notável do Fair Park é o Cotton Bowl, templo esportivo do evento clássico anual do Futebol Americano Universitário (College Football) de mesmo nome (http://www.attcottonbowl.com). Desde 1937 a partida inaugural do campeonato é jogada no dia de Ano Novo neste estádio. Dallas é uma das cidades dos EUA onde esse esporte é adorado. Afinal, Dallas é a terra dos famosos Dallas Cowboys, um franchise de mais de 1 bilhão e meio de dólares, e de suas legendárias cheerleaders (http://www.dallascowboys.com/cheerleaders/). O Cotton Bowl for o estádio desse time durante todos os anos sessenta e setenta. Palcos de shows famosos, o estádio também já recebeu Elvis Presley, Frank Sinatra e os Rolling Stones.
 
Fair Park - Leonhardt Lagoon 13Fair Park - Tower Building 1aaaFair Park - Cotton Bowl 3
 
Um dos museus de Fair Park que fiz questão de visitar com minhas filhas foi o Museu das Mulheres (The Women’s Museum http://www.thewomensmuseum.org/). Não é mole criar duas meninas para fazer diferença e serem respeitadas em um mundo moldado durante séculos para ser governado por homens. Mesmo aqui nos EUA, onde direitos (e deveres) das mulheres têm sido reconhecidos, ainda existe necessidade de pavimentar com (muito) cimento a estrada rumo a igualdade. Por isso, uma experiência renovadora e inspiradora como visitar uma exposição que celebra a luta feminina (não só feminista) deveria ser obrigatória em qualquer visita à Dallas. Recursos audio visuais expõem anos de história de um ponto de vista ímpar: do oprimido, do objeto. Enquanto todos (até as mulheres! quem você acha que cria um machista?) não se conscientizarem da importância de incorporar a contribuição, a voz, a visão feminina dentro de nossa sociedade, nosso futuro, nossa sobrevivência, estará em risco.
 
The Women's Museum 1The Women's Museum 2bThe Women's Museum - Interior 10The Women's Museum - Interior 2The Women's Museum - Interior 3The Women's Museum - Interior 4
 
Logo em frente ao Museu da Mulher, encontra-se o Texas Vietnam Veterans Memorial, em homenagem aos texanos que serviram e se sacrificaram na Guerra do Vietnam. Sou absolutamente contra a guerra, mas nada contra honrar aqueles que caíram por causa da estupidez de seus governantes. Até hoje essa Guerra é um assunto meio tabu entre americanos de meia-idade. Minha percepção é que muitos consideram veteranos dessa guerra mais como outcasts (mesmo criminosos de guerra) do que como heróis. Seu único pecado: terem sobrevivido depois de viver situações impossíveis que os obrigaram a deixar solto o seu lado negro. O verdadeiro "demônio" – nós mesmos. E vão ter que viver com isso.
 
Fair Park - Texas Vietnam Veterans Memorial 1Fair Park - Texas Vietnam Veterans Memorial 12Fair Park - Texas Vietnam Veterans Memorial 5
 
Terminamos o dia passeando de carro em Downtown Dallas. O centro da cidade conta com magniíficas construções pos-modernistas, em boa parte financiada com a grana do Petróleo. Tentamos visitar a Reunion Tower, um dos cartões postais de Dallas que fica localizado no Hotel de luxo Hyatt, mas estava fechado para reformas. Downtown Dallas atingiu a notoriedade em 1963, quando o então presidente John F. Kennedy foi assassinado em uma de suas ruas. Não tivemos tempo de visitar o local, mas o grande edifício de tijolinhos vermelhos foi o prédio de onde Lee Oswald atirou no presidente. Mas tarde foi transformado em um museu sobre a vida e legado de JFK, o Sixth Floor Museum (http://www.jfk.org/).
 
Cathedral Guadalupe Church 1Dallas Downtown 21Dallas Downtown 23Dallas Downtown 27bDallas Downtown 34Reunion Tower 1aaaCathedral Guadalupe Church 1Dallas Downtown 16
 
No Domingo gastamos a manhã naquela que é a atração mais espetacular da cidade: o Dallas Arboretum (http://www.dallasarboretum.org/). Já visitei jardins botânicos em várias partes do mundo, mas esse aqui bateu todos os outros. Babante. Visitamos o lugar em meio a estação de tulipas e, depois que você espiar as fotos em alta definição que tirei, vai ser difícil escolher qual será o seu próximo papel de parede… Extremamente bem cuidado, cada ponto deste complexo de 267,000 m2 traz uma pintura diferente e majestosa até os seus olhos. Paz, romance, reflexão, tudo isso vem à cabeça sem esforço. Professoras usam o Arboretum para dar aulas ao ar livre para os pequenos. Para os preguiçosos, dá para percorer os jardins de carrinho de golf sem pagar extra. Mas nada substitui o prazer de caminhar: nossas 4 horas lá dentro passaram num piscar de olhos. O único membro da minha família um tanto infeliz era minha filha adolescente emburrada. Opa! "adolescente emburrado" é pleonasmo… Mas provavelmente era por um motivo muito importante, desconhecido para mim. Os problemas dos adolescentes se dividem em dois: os "grandes", que são os deles próprios; e os "pequenos", que são os dos outros…
 
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Bancar um Jardim Botânico desses não é mole: trata-se de um desafio econômico (a receita vem das entradas – US $ 10 por cabeça – e das doações dos ricos de Dallas – que são muitos) e técnico. Técnico porque cultivar e manter um jardim não é mole, é uma arte. Agora que tenho uma casa eu sei. Por exemplo, tentei plantar um conjunto de girassóis no meu quintal e depois de 3 meses a frente da minha casa parecia um cenário de um episódio da série Arquivo X: um horror, creepy mesmo. E olha que eu gastei uma baba, grana e tempo. Voltando ao tópico principal, o Arboretum ainda dispõe de uma imensa área gramada para concertos ao ar livre, à beira do lago White Rock.
 
Dallas Arboretum 162Dallas Arboretum 19Dallas Arboretum 83Dallas Arboretum 78Dallas Arboretum 90Dallas Arboretum 98DSC02975
 
Dentro do Arboretum havia uma exposição de construções da época colonial norte-americana: The Texas Pioneer Adventure. Minha mais nova adorou: podia mexer em tudo. A idéia é fazer a criança voltar no tempo e vislumbrar aquele pedacinho de terrra com os olhos dos pioneiros.
 
Dallas Arboretum - Texas Pioneer Adventure 1Dallas Arboretum - Texas Pioneer Adventure 10Dallas Arboretum - Texas Pioneer Adventure 13Dallas Arboretum - Texas Pioneer Adventure 16Dallas Arboretum - Texas Pioneer Adventure 17Dallas Arboretum - Texas Pioneer Adventure 9

 
Porque ninguém é de ferro, terminamos a viagem à Dallas comendo carne na hora do almoço. Mas não em um lugar qualquer, mas na Texas do Brazil (http://www.texasdebrazil.com/), a fim de comer em um autêntico (wel, sort of…) rodízio brasileiro. Foram os olhos da cara, mas deu para matar um pouco a saudade da pátria de origem.
 
Veja aqui todas as fotos (mais de 400) em alta resolução da nossa viagem:
Para visualizá-las (slide show) é necessário um cadastro no yahoo.com ou yahoo.com.br, ou direto no flickr.com
Não esqueça de incluir a legenda (options, abaixo à direita – marque always show titles) durante a exibição dos slides. Todas as fotos podem ser baixadas/downloaded em altíssima resolução.

 

É isso. 

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