Big Apple – Março de 2008 – Parte 2/2

 
A segunda igreja chama-se Saint Paul’s Chapel, construída antes da guerra de independência americana e uma gema de colorido interior. Ela se localiza bem em frente ao ground zero e sobreviveu miraculosamente à queda das duas torres. Árvores centenárias do jardim foram destruídas pelos destroços, mas no processo proporcionaram um escudo de proteção. Não houve nem mesmo um simples vidro trincado ou arranhado dentre todas as janelas da igreja. Dentro dela existe uma memorial improvisado dedicado a algumas das vítimas do 11 de Setembro. Uma quantidade enorme de americanos fazem procissão aqui para orar e prestar seus sentimentos.

St. Paul's Chapel 2St. Paul's Chapel 4St. Paul's Chapel - Interior 1St. Paul's Chapel - Interior 2St. Paul's Chapel - Interior 3St. Paul's Chapel - Interior 3b

O site aonde as torres caíram impressiona pelo tamanho, mas também pela capacidade de fazer todos à volta calarem e, provavelmente como eu, considerar um pouco o passado. Difícil assunto de se discutir com um americano. Prometo uma entrada dedicada a isso no meu futuro blog sobre a vida na América.
 
Houve uma competição (http://www.wtcsitememorial.org/) para saber que tipo de monumento seria erguido no lugar das torres gêmeas, com a finalidade de homenagear as vítimas e, ao mesmo tempo, proporcionar de volta os valiosos espaços de escritório que existiam. O ganhador foi o projeto arquitetônico "Reflecting Absence" (Refletindo a Ausência – http://www.cbc.ca/news/photogalleries/memorial/index.html), um mix de memorial e torres comerciais. O futuro website do memorial: http://www.national911memorial.org. Por causa da quantidade enorme de empreiteiras contratadas, processos na justiça e incompetência gerencial do governo, as obras estão muito, muito atrasadas.

World Trade Center Ground Zero 1World Trade Center Ground Zero 10World Trade Center Ground Zero 5World Trade Center Ground Zero 2World Trade Center Ground Zero 4World Trade Center Ground Zero 7WTC Memorial - Reflecting Absence 2

Deixamos o ground-zero e partirmos em direção ao Centro Cívico de New York. Os prédios mais notáveis da região são: o United States Courthouse, finalizado em 1933; o Municipal Building, de 1914; o Woolworth Building, um edifício gótico concluído em 1913 e que permaneceu como o mais alto da cidade até a construção do Empire State Building; e a grande estrela da região, a prefeitura de New York e seu pequeno parque (City Hall Park). Este último é um site histórico por ser o cenário, há quase 200 anos atrás, de protestos de americanos contra a dominação inglesa. A declaração de independência foi lida aqui por George Washington e suas tropas em julho de 1776.

US Court House 3Municipal Building 3Woolwoth Building 1City Hall 1City Hall Park 2City Hall Park 3

Em seguida a visita à prefeitura, atravessamos a famosa Brooklyn Bridge, que liga a ilha de Manhattan ao Brooklyn.  Trata-se da maior ponte suspensa do mundo e a primeira a ser construída em aço. Levou 16 anos para ser finalizada (em 1883) às custas do trabalho de 600 homens. John A. Roebling, alemão de nascimento, projetou a pronte para ser seis vezes mais forte do que o necessário, o que fez com a Brooklyn Bridge permanecesse em atividade até hoje, enquanto outras de seu tempo simplesmente foram substituídas. A ponte é bastante movimentada: turistas, bicicletas e, é claro, automóveis (veículos comerciais não são permitidos). O visual da cidade de New York a partir da ponte é de tirar o fôlego. O poeta Walt Whitman disse uma vez que a vista da ponte foi "…the best, most effective medicine my soul has yet partaken." Outro programa obrigatório e… grátis!

Brooklin Bridge 11Brooklin Bridge 12Brooklin Bridge 3Brooklin Bridge 4Brooklin Bridge 9

20 trabalhadores morreram durante a construção da ponte, todos devido a "caisson disease". Caissons eram as bases construídas embaixo d’água para sustentá-la. Os imigrantes que trabalhavam nas câmaras, do tamanho de 4 quadras de tênis em extensão, sofriam dores horríveis no peito e na cabeça, todas as vezes que retornavam para a superfície, depois de passar muito tempo lá embaixo. Hoje sabemos que a "caisson disease" não passava de “decompression sickness”, o mesmo problema que mergulhadores sofrem com o diferencial de pressão, principalmente em águas profundas, quando tentar subir muito rapidamente à superfície. O processo de ascensão deveria ser compassado e feito em intervalos. Roebling morreu ele mesmo antes de concluir a construção: em 1869 seu pé ficou preso entre um dos ferry boats e a doca, e três semanas mais tarde, morreu de tétano. Bummer! Seu filho concluiu o trabalho, mas acabou ficando parcialmente paralisado devido a "caisson disease". Que uruca! 

aaaaaa  aaa

Depois de curtir a ponte, visitamos a famosa e colorida Chinatown o bairro chinês mais famoso do mundo e também muito antigo: os primeiros imigrantes chineses chegaram em New York em 1800. O ambiente é completamente alienígena e cheio, muito cheio de clones amarelinhos de olhos puxados. Mal dá para andar. As ruas possuem um número incontável de quitandas, lavanderias, peixarias, antiquários, açougues, galerias e gift shops, além de centenas de restaurantes. Como o bairro está localizado em Lower Manhattan, os negócios e o turismo caíram assustadoramente desde o 11 de Setembro. Com o vazio imobiliário trazido pelas centenas de escritórios destruídos no ataque, as fronteiras de Chinatown, tão próxima ao ground zero, encolheram significativamente. O valor do aluguel de imóveis comerciais subiram para a estratosfera e os pequenos comerciantes não conseguem pagá-los. O governo local atualmente promove uma campanha (http://www.explorechinatown.com/) para a salvar eses pequenos negócios que estão à perigo. Você poderia pensar: a população local de 80 mil chineses-americanos não seria suficiente para sustentar o próprio bairro? Pois é, um erro mercadológico comum pensar que se pode montar um negócio nos EUA que não inclua americanos como clientes (como, por exemplo, o absurdo habitual vou-criar-um-restaurante-brasileiro-para-os-brasileiros-que-vivem-nos-EUA). Qualquer negócio aqui para sobreviver no longo prazo e crescer necessita de clientes americanos nativos.

Chinatown 4Chinatown 5Chinatown 6Chinatown 9

Para fechar nosso fim-de-semana com chave de ouro, jantamos (muito cedo – 6 pm) em Little Italy (http://www.littleitalynyc.com/), a comunidade italiana em New York que começou a ser formada no final do século XIX. Colada com Chinatown, escolhemos comer aqui por causa da reputação de comida boa, servida em pequenos restaurantes rústicos familiares, preço justo e serviço amigável. Localizado na legendária Mulberry Street, o Caffe Sorrento (http://www.caffesorrento.com/) deu-nos tudo isso é um pouco mais: pequeno, sossegado e romântico. Minha esposa disse que o vinho servido com a pasta era excelente.

Little Italy - Caffe Sorrento 1Little Italy - Caffe Sorrento 2

Veja aqui todas as fotos (quase 500) em alta resolução da nossa viagem:

Para visualizá-las (slide show) é necessário um cadastro no yahoo.com ou yahoo.com.br, ou direto no flickr.com
Não esqueça de incluir a legenda (options, abaixo à direita – marque always show titles) durante a exibição dos slides. Todas as fotos podem ser baixadas/downloaded em altíssima resolução.

 

É isso. 

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2 Responses to Big Apple – Março de 2008 – Parte 2/2

  1. Jurandyr says:

     
    É, agora acho que terminei a visita.
    Quase sete anos depois ainda fica-se pasmo com a lembrança e as consequências  do 11 de setembro, tão bem captadas.
    E a ponte suspensa Hercílio Luz, continua desativada já há anos !.
    Rezemos pela Rio Niterói…
     
    Boa noite.
     

  2. Claudia says:

    Vamos voltar  a NY, certo?????
    Beijao

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