Outubro de 2006 – Museu do Prado – Madrid, Espanha

 
O Museo Nacional del Prado (http://museoprado.mcu.es/) é uma atração tão especial que merece uma entrada só dele neste blog. Absolutamente imperdível. Embora seja montado em cima de obras de pintores espanhóis, produzidas entre os séculos XII e XIX, em minha opinião o acervo mais interessante é formado por telas de tema religioso (católico) ou greco-romano. Alem dos clássicos, como Goya e Velázquez, possui obras italianas e flamengas. Foi inaugurado em 1819 por Fernando VII com o objetivo de reunir as coleções reais dos monarcas espanhóis. O prédio neo-clássico do museu já é uma atração à parte. Foi projetado em 1785 por Juan de Villanueva, a mando do Rei Carlos III.
 
Museo del Prado 1Museo del Prado 2Museo del PradoDSC09828DSC09835DSC09922DSC09848
 
Dentre as minhas obras favoritas estão as clássicas greco-romanas:

(1) El triunfo de Baco (1629), de Velazquez, mostrando uma alegoria sobre a habilidade que a bebida alcoólica tem de dar algum consolo às agruras da vida.
(2) As Três Graças (1635), de Rubens, um dos últimos trabalhos do pintor que apresenta as três filhas de uma das escapadas de Zeus – Aglaya (resplandescente), Eufrósine (prazer) e Talia (fluorescente) – virgens puras que viviam com os deuses e que despertavam a alegria de viver. O padrão de beleza da mulher mudou significativamente, não?

(3) Saturno devorando a un hijo (1628), de Goya, uma expressiva imagem do medo que todo ser humano tem de perder o poder. Lembram-se da Revolução Francesa e de como ela acabou "devorando" seus próprios filhos?
(4) Diana e uma ninfa surpreendidas por um sátiro (1627), de Anton Van Dyck. Endymion, neto de Júpiter (Zeus), apaixonou-se pela Lua (Diana, deusa da caça – vejam as alegorias na pintura), mas ela se fazia de difícil. O quadro mostra o momento seguinte à consumação do seu amor, quando são descobertos pelo sátiro enquanto dormem.
(5) Vênus, Adônis e o Cupido (1590), de Andres Ubeda de los Cobos. Adonis desde pequeno foi admirado por sua beleza. Grande caçador, um dia encontrou Venus na floresta. Cupido, filho de Venus, flechou a mãe e ela se apaixonou pelo jovem perdidamente. A história não termina bem: Adonis é ferido mortalmente por um javali em uma de suas caçadas, deixando a deusa do amor desconsolada.
(6) O nascimento do sol e o triunfo de Baco (1762), de Giaquinto. O deus Apolo (Sol) em sua carruagem junto com a deusa Juno (Hera), presentes à coroação de baco, rodeados por ninfas. Diana, deusa da caça, e Venus também dão o ar de suas graças.
(7) Diana em uma paisagem (1739), de Luis Michel Van Loo. Notem a sensualidade extra adicionada à pintura pelo francês.
(8) O juízo de Paris (1639), por Rubens. A pintura representa Paris no momento mais pepinoso do julgamento de qual das deusas – Venus, Juno e Minerva – era a mais bela. Venus ganhou porque o subornou, prometendo o amor de Helena, aquela de Tróia. Mas uma guerra que poderia ser evitada…
(9) Danae recebendo a chuva de ouro (1553), por Tiziano. Zeus era o grande garanhão infiel do Olimpo. Sua melhor cantada era se transformar em uma coisa cool para impressionar a humana que ele queria traçar. No caso da garota Europa, foi um touro. No caso de Danae, foi uma chuva de ouro. E olha que o pai dela a tinha trancado em uma torre inexpugnável. Quando se é onipotente, seduzir é moleza…
(10) O bacanal de los andrios (1526), por Tiziano. Foi o deus Baco deu origem à palavra bacanal…
 

Velazquez - El triunfo de Baco, 1629Rubens - Las tres Gracias, 1635Goya - Saturno devorando a un hijo, 1628 - HDDAnton Van Dick - Diana y una ninfa sorprendidas por un satiro, 1627Carracci - Venus, Adonis y Cupido, 1590Giaquinto - El nacimiento del Sol y el triunfo de Baco, 1762 - HDDLouis Michel van Loo - Diana en un paisaje, 1739Rubens - El juicio de Paris, 1639Tiziano - Danae recibiendo la lluvia de oro, 1553Tiziano - La bacanal de los andrios, 1526
 
Agora as obras religiosas, minhas favoritas:

(1) Martirio de San Felipe (1639), por Jose de Ribera. Obra barroca perturbadora, onde o apóstolo começa a ser crucificado com cordas. Chama a atenção à esquerda uma mulher com uma criança nos braços, possível alegoria à piedade cristã.

(2) A anunciação (1426), por Fra Angelico. Pintura gótica italiana pintada para o convento de São Domenico em Florença, mostra o anjo Gabriel comunicando às boas novas a Maria. À esquerda, Adão e Eva sendo expulsos do paraíso. Salvação e Danação no mesmo quadro!
(3) El jardin de las delicias (1505), por El Bosco. Enigmática pintura retratando céu e inferno. Imperdível em alta resolução (veja o link mais abaixo para as fotos mais abaixo).
(4) Adoracion de los Pastores (1614), por El Greco. O pastor é o próprio pintor, embevecido com a visão do símbolo da resurreicão e eternidade.
(5) Davi vencedor de Golias (1600), por Caravaggio. É, as pessoas que subestimam os outros acabam perdendo a cabeça. Tá, tá bom, essa foi muito fraca. Mas a história de Davi x Golias não deixa de ser uma das grandes passagens do Antigo Testamento.
(6) The Deposition (1435), por van der Weyden. Momento clássico com um uso do espetacular do azul nessa pintura flamenca.
(7) Sagrada Familia del pajarito (1650), por Murillo. Achei essa representação dos três tão bacana que uma réplica está pendurada na minha sala…
 

Jose de Ribera - Martirio de San Felipe, 1639Fra Angelico - La Anunciacion, 1426 El Bosco - El jardin de las Delicias, 1505El Greco - Adoracion de los pastores, 1614 - HDDCaravaggio - David victorious over Goliath, 1600 - HDDRoger van der Weyden - El Descendimiento, 1435Murillo - Sagrada Familia del pajarito, 1650

 
Finalmente, um lote com clásicos mundialmente conhecidos:

(1) El 3 de mayo de 1808 en Madrid (1814), por Goya. Representa o fuzilamento de espanhóis pelo exército de Napoleão, durante a ocupação francesa, como represália à insurgência de alguns patriotas. Como Napoleão rezava da cartilha de Maquiavel, ele precisou agir rápido e impiedosamente. Medo é um instrumento de gerenciamento como qualquer outro e muito eficaz se bem utilizado. Claro que o sujeito precisa de uma certa flexibilidade moral para fazer uso dela. Voltando à pintura, dá para sentir o drama do momento: notem como a iluminação privilegia os mártires.

(2) La Maja desnuda (1800) e La Maja desnuda (1808), ambos por Goya. Talvez as duas obras espanholas mais conhecidas do mundo.
(3) O triunfo da morte (1562), por Brueghel.Very disturbing. Melhor apreciada para aqueles que conhecem o conteúdo do capítulo do Apocalipse na Bíblia, leitura essa não recomendada para a noite.
(4) Las meninas (1656), por Velazquez. Outra obra prima espanhola. É o quadro mais famoso do pintor. Segundo especialista, o jogo espacial que o artista faz é de uma complexidade extrema.
 
Goya - El 3 de mayo de 1808 en Madrid, 1814Goya - La maja desnuda, 1800Goya - La maja vestida, 1808 - HDDBrueghel - El triunfo de la Muerte, 1562Velázquez - Las Meninas, 1656
 
 

Quadros em alta resolução:

http://www.flickr.com/gp/14007031@N04/AciRH9

Para visualizá-las é necessário um cadastro no yahoo.com ou yahoo.com.br

 

E’ isso… 

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